Ebooks gratuitos sobre leitura na era digital e gêneros textuais nos LDs de Português

Um exemplar gratuito dos ebooks abaixo pode ser solicitado na Livraria Virtual eBooks LingNet, clicando em [solicitar]. Após preencher um formulário simples, o solicitante recebe, em até 48 horas, uma mensagem com o endereço do ebook em pdf. Optou-se por pedir o preenchimento do formulário para conhecer melhor o perfil do público.

Ensino de Leitura: fundamentos, práticas e reflexões para professores da era digital
Kátia Tavares, Sílvia Becher, Claudio Franco (Orgs.)
ISBN: 978-85-8101-002-1       [solicitar]
Ao buscar articular questões teóricas e práticas referentes ao ensino de leitura no contexto de uma sociedade cada vez mais mediatizada, esperamos, com este livro, contribuir para a reflexão de professores de leitura sobre sua prática pedagógica e sobre as teorias que as fundamentam. Desejamos também que essas reflexões possam se desdobrar em diálogos dentro de comunidades de professores de leitura, em projetos de reconstrução de prática pedagógica e em novas publicações sobre o tema, que precisa ser continuamente discutido, sob diferentes perspectivas, especialmente por aqueles que acreditam que saber ler textos é também saber ler o mundo, transformando-o e sendo transformado por ele. 220 páginas


Gêneros Textuais nos Livros Didáticos de Português: uma análise de manuais do ensino fundamental
Leonor Werneck (Org.)
ISBN: 978-85-87043-99-3       [solicitar]
Este livro que ora apresentamos, em formato e-book, é composto de nove artigos elaborados como trabalho de conclusão do curso de pós-graduação “Gêneros e sequências textuais: perspectivas teóricas e aplicações ao ensino”, oferecido em 2010, na Faculdade de Letras da UFRJ. O objetivo principal desta publicação é divulgar debates teóricos que travamos durante o curso sobre gêneros e tipologias textuais e sua aplicação ao ensino e apresentar análise de alguns livros didáticos. 339 páginas

Maiores informações sobre o LingNet, núcleo de pesquisa do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Faculdade de Letras da UFRJ, podem ser obtidas em http://www.lingnet.pro.br/#axzz1imPHxz3z

Duas vagas em concurso docente na área de ensino de Língua Portuguesa na UFPA


Estão abertas as inscrições para o Concurso de Docente da Universidade Federal do Pará (Edital 326/2011).

Há duas vagas na área de ensino de Língua Portuguesa:

- Ensino-Aprendizagem da Língua Portuguesa
Instituto de Letras e Comunicação
Requisitos: Doutorado em Letras, ou Língua Portuguesa, ou Linguística Aplicada ou Educação

- O Ensino da Língua Portuguesa na Educação Infantil e nos anos iniciais do ensino Fundamental
Instituto de Ciências da Educação
Requisitos: Doutorado em Letras ou Educação com graduação em Letras ou Pedagogia

As inscrições vão de 19/12/2011 até 17/01/2012.

Chamada: Hipertextus, 7º volume


A Hipertextus Revista Digital, editada pelo Núcleo de Hipertexto e Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Pernambuco (Nehte/UFPE), recebe até 15 de janeiro de 2012 resenhas e artigos científicos para o seu sétimo volume.

A revista está aberta a colaboradores do Brasil e do exterior, cujos trabalhos tratem de questões teóricas e práticas relacionadas às temáticas das novas tecnologias digitais de informação e de comunicação nas relações pessoais, institucionais e no processo pedagógico.

Artigos científicos e ensaios acadêmicos que enfoquem a utilização da Internet como ferramenta de comunicação, interação e aprendizagem na modalidade a distância e o emprego do potencial pedagógico das redes sociais como objetos semióticos de aprendizagem e outros temas correlato também são discussões bem-vindas ao periódico.

Os autores interessados em submeter seus trabalhos à avaliação do conselho editorial da Hipertextus Revista Digital deverão enviá-los exclusivamente ao e-mail 
revista@hipertextus.net. Inicialmente os trabalhos serão avaliados pelo editor e posteriormente serão encaminhados a membros do conselho editorial e/ou consultores ad hoc que finalizarão o processo de seleção dos textos.

Por gentileza, antes de enviar seu trabalho, conheça as normas de publicação da Hipertextus disponíveis no endereço eletrônico 
http://www.hipertextus.net/normas.htm

Produtivismo acadêmico está acabando com a saúde dos docentes

A quarta mesa do Seminário Ciência e Tecnologia no Século XXI, promovido pelo ANDES-SN de 17 a 18 de novembro, em Brasília, debateu o “Trabalho docente na produção do conhecimento”. As análises abrangeram tanto a produção do conhecimento dentro da lógica do capitalismo dependente brasileiro, até o efeito do produtivismo acadêmico na saúde dos docentes.

Participaram dessa mesa, o ex-presidente do ANDES-SN e professor do departamento de educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher; a assistente social e também professora da UFRJ Janete Luzia Leite; e a professora visitante do curso de pós-graduação em serviço social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Maria Ciavatta.

Leher iniciou sua fala lembrando que a universidade brasileira, implantada tardiamente, tem sua gênese na natureza do capitalismo dependente brasileiro. E é essa matriz que vai determinar o conhecimento gerado academicamente. “Também não podemos esquecer que a produção do conhecimento tem sido re-significada. Hoje, não há mais a busca da verdade, mas, sim, a sua utilidade. Sem contar que o conhecimento é uma forma de domínio, como já disseram Kissinger, Fukuyama e Mcnamara”, argumentou.

“Diante disso, está fora de lugar a perspectiva de que a universidade tem um caráter iluminista. Àquela aura do professor universitário intelectual não mais se sustenta”, constatou.

Para Leher, antes havia a valorização da cultura geral, em que era comum encontrar um físico escrevendo sobre arte. Essa ideia, no entanto, não ocorre mais na universidade submetida à lógica utilitarista e pragmática. “É a expropriação do trabalho acadêmico”, criticou.

No Brasil, esse processo foi iniciado com a ditadura militar, que centralizou no Ministério do Planejamento os programas de apoio científico e tecnológico. Como o governo precisava direcionar a inteligência na perspectiva desenvolvimentistas do país, mas queria silenciar a universidade, passou a utilizar-se dos editais para direcionar as pesquisas.

Desde então, mas, principalmente, a partir de 2000, a maioria dos recursos destinados à pesquisa foram se deslocando para o que passou a ser chamado de inovação. A hipótese de Leher é de que como Brasil é dependente e como os doutores formados nas universidades não conseguem empregos na iniciativa privada, a universidade está sendo re-funcionalizada para fazer o serviço que as empresas não querem fazer.“Isso se dá nas ciências duras, mas também nas ciências sociais. É o que explica, por exemplo, o tanto de editais para formar professores à distância, ou para fazer trabalho nas favelas. É a universidade oferecendo serviços”, exemplificou.

“Diante dessa pressão em oferecer serviços, em produzir, o professor que levar dois anos para concluir um livro é expulso da pós-graduação”, denunciou Leher.

A saída para essa situação está na aliança do movimento docente com os movimentos populares. “Ao contrário do que ocorreu em épocas anteriores, em que parcelas da burguesia apoiaram projetos de uma universidade mais comprometida com os povos, hoje eles estão preocupados em inserir cada vez mais a instituição na lógica do mercado”, constatou. “Temos, portanto, de construir um arco de forças políticas no movimento anti-sistêmico, ou seja, com movimentos como a Conae e o MST”, defendeu.

Esse diálogo vai exigir da academia, no entanto, um esforço epistemológico e epistêmico. “Se queremos o MST como aliado, por exemplo, temos de produzir conhecimento que trate, por exemplo, da agricultura familiar”, argumentou.

Qualidade no ensino

A professora Maria Ciavatta também criticou o produtivismo acadêmico ao qual estão submetidos os docentes universitários. “Numa recente publicação do ANDES-SN, li a seguinte frase, que reflete muito bem o atual estado em que nos encontramos: ‘antes, éramos pagos para pensar, agora, somos pagos para produzir’. Achei essa definição ótima”, afirmou.

Ciavatta argumentou que a baixa qualidade do ensino decorre, diretamente, da insuficiência de recursos, responsável pelos baixos salários pagos aos professores. Disse, também, que o Brasil não tem políticas públicas para educação, mas programas de governo.

Ela criticou veementemente o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico) do governo federal. “O discurso é o mesmo dos anos 90, de que precisamos treinar os jovens pobres porque eles precisam de trabalho. Ocorre que esses jovens, por não saberem o básico, também não aprenderão nada nos cursos técnicos”, previu.

“O que temos de defender é a universalização do ensino médio público, gratuito, de qualidade e obrigatório. Temos de responsabilizar o Estado nessa questão”, defendeu.

Ciavatta criticou a banalização do termo pesquisa. “Todos os professores têm de ser pesquisadores, quando, na realidade, a pesquisa científica exige um tempo para pensar”, argumentou. “A pesquisa é encarada como toda E qualquer busca de informação”, constatou.

Após citar os artigos da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que tratam da pesquisa, ela apontou a baixa qualidade do ensino como um empecilho. “A sofisticada proposta da LDB não se faz com alunos semi-analfabetos. Não basta a alfabetização funcional de muitos e a especialização de poucos. A inovação requer a generalização da cultura científica”, diagnosticou.

Para Ciavatta, a privatização das universidades públicas, com a criação de cursos pagos, se deu a partir do achatamento salarial dos anos 90, o que acarretou maior carga horária dos professores, precarização das relações de trabalho, produtivismo induzido e individualismo. “Sou de uma época em que líamos os trabalhos dos colegas. Hoje não temos mais tempo”, lamentou.

A eficiência prescrita e o produtivismo induzido limitaram, segundo ela, a democracia e a autonomia da universidade.

Para a pesquisadora, o viés positivista e mercantilista é que está pautando a produção do conhecimento. “O direito à educação está sendo substituído pelo avanço do mercado sobre a educação, que está sendo vista como um serviço”, afirmou.

Saúde dos docentes


O produtivismo acadêmico está tirando a saúde dos docentes das universidades públicas brasileiras. Essa é a principal constatação feita por estudo da professora do curso de Serviço Social da UFRJ Janete Luzia Leite. “Antes, a docência era vista como uma atividade leve. Agora, está todo mundo comprimido”, afirmou.

A causa dessa angústia está na reforma, feita em 2004, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Aliada ao Reuni, as mudanças na Capes foram um verdadeiro ataque à autonomia universitária”, denunciou.

O resultado foi a instituição de dois tipos de professores: o pesquisador, que ensina na pós e recebe recursos das agências de fomento para fazer suas pesquisas e o que recebe a pecha de “desqualificado”, que ficou prioritariamente na docência de graduação e à extensão. Esses, em sua maioria, são recém-contratados e terão suas carreiras truncadas e sem acesso a financiamentos.

Para Janete, os atuais docentes estão formando em seus alunos um novo ethos, em que é valorizado o individualismo, ocultada a dimensão da coletividade e naturalizada a velocidade e a produtividade.

Há, também, um assédio moral subliminar muito forte, que ocorre, principalmente, quando o docente não consegue publicar um artigo, ou quando seus orientandos atrasam na conclusão do curso. “Com isso, estamos nos aproximando de profissões que trabalham no limite do estresse, como os médicos e motoristas”, afirmou.

O resultado é que os docentes estão consumindo mais álcool, tonificantes e drogas e estão propensos à depressão e ao suicídio. “É um quadro parecido com a Síndrome de Burnout, em que a pessoa se consome pelo trabalho. Ocorre como uma reação a fontes de estresses ocupacionais contínuas, que se acumulam”, explicou Janete Leite.

O problema, segundo ela, é que as pessoas acham que seu problema é individual, quando é coletivo, além de terem vergonha de procurar o serviço médico. “Com isso, elas vão entrando em suas conchas, temendo demonstrar fragilidades”.

Como forma de mensurar o nível de estresse dos docentes, a pesquisadora da UFRJ começou a fazer uma pesquisa nesse campo. Junto com um grupo de aluno, ela entrevista professores dispostos a falar de seus problemas.

“A primeira constatação que fiz é que as pessoas estão ansiosas para falar sobre seus problemas. Nossas entrevistas não duram menos do que uma hora e meia”, contou.

Já foi possível concluir que a atual realidade tem provocado sintomas psicopatológicos, como depressão e irritabilidade; psicosomáticos, como hipertensão arterial, ataques de asma, úlceras estomacais, enxaquecas e perda de equilíbrio; e sintomas comportamentais, como reações agressivas, transtornos alimentares, aumento de consumo de álcool e tabaco, disfunção sexual e isolamento.

Tudo isso, para Janete Leite, decorre da pressão atualmente feita sobre o docente. “O nosso final de semana desapareceu, pois temos de dar conta do que não conseguimos na semana, como responder e-mails de orientandos, ou escrever artigos”, afirmou.

Para ela, é preciso que haja uma reação dos docentes a esse processo. “Caso contrário, seremos uma geração que já está com a obsolescência programada”, previu.


Disponível em: http://portal.andes.org.br:8080/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=5020

Chamada para publicação na Revista Raído: Interacionismo Sociodiscursivo

A revista Raído (Qualis B2) v. 6 | n. 1 | 2012 será temática. Receberá artigos relacionados à transposição didática (interna e externa) de gêneros, na vertente do Interacionismo Sociodiscursivo. A partir disso, os artigos poderão tratar sobre: a) elaboração de modelos didáticos de gêneros; b) construção de sequências didáticas em processo colaborativo (professor formador, supervisor de estágio e aluno estagiário/professor de sala de aula, etc.); c) textos pré-figurativos da ação docente que guiam a ação do professor; d) gestos didáticos do docente.

Data limite para submissão:
 31/03/2012.

Informações detalhadas sobre as normas:
http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/Raido/about/submissions#authorGuidelines

Chamada para publicação: Revista Profissão Docente


A Revista Profissão Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Uberaba (UNIUBE) está organizando um dossiê temático sobre Leitura e Formação de Professores a ser publicado em 2012. Serão publicados artigos, ensaios e resenhas.

Palavras-chave: Leituras; práticas de leitura, ensino de leitura, formação de leitores, leitura e educação básica, leitura no ensino superior, políticas públicas de leitura, leitura e novas tecnologias, leitura e mediação docente, leitura e processos de avaliação institucional.

Observação: Para envio do texto, o autor deve entrar na plataforma da revista, iniciar o primeiro passo da submissão de seu texto, clicando em SEÇÃO e escolhendo a opção DOSSIÊ. É importante marcar a opção DOSSIÊ para que o trabalho seja diretamente direcionado a esta seção.

Data limite de entrega do artigo: 30/03/2012    
Previsão para publicação: novembro de 2012
Telefones: (55) (34) 3319- 8811(institucional) E-mail:  amebortolanza@uol.com.br

Informações sobre a formatação do texto estão no endereço eletrônico http://www.revistas.uniube.br/index.php/rpd/about/contact

Do UCA a tabuletas: onde está a banda larga? Artigo de Nelson Pretto

Na semana passada aconteceu aqui em Salvador um encontro com os professores das dez escolas que estão trabalhando conosco, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, na formação dos professores do programa Um Computador por Aluno (PROUCA), projeto que o governo federal tenta (ou tentava?) implantar desde 2006, ainda sob a batuta do presidente Lula.

O enorme esforço dos professores envolvidos no projeto é evidente. As condições são as mais precárias possíveis e, mesmo assim, o que vemos são colegas animados, enfrentando todas as dificuldades e buscando um caminho para a utilização dos computadores portáteis nas escolas, no cotidiano das suas aulas.

A distância entre a formação inicial destes professores e os computadores na mão dos meninos é de, no mínimo, um século. Os professores foram preparados para transmitir conhecimentos e para ensinar conteúdos. Agora, convivem com a possibilidade de cada um dos alunos ter na mão um aparelhinho que, potencialmente, lhe conecta com um mundo de informações, num único clique. Isso se a internet funcionar!

Justo aqui temos os dois maiores problemas em termos de tecnologia: a infraestrutura das escolas e a conexão à internet. Faltam as condições básicas nas escolas públicas envolvidas no projeto aqui na Bahia: não existem tomadas para carregar os uquinhas, como carinhosamente os chamamos aqui; não há mobiliário para os meninos e professores trabalharem; a rede internet, prometida pelas operadoras, levou meses para ser implantada e, mesmo assim, com péssima qualidade. Em uma das nossas escolas, os professores tentaram carregar muitos computadores ao mesmo tempo e o resultado foi simplesmente a derrubada da energia de toda a escola, que ficou sem luz durante mais de dois dias.

(...)
A escola pública precisa de tudo: computadores potentes, uquinhas, tabuletas, televisões, câmeras de vídeo, gravadores, rádios web, bibliotecas com livros (e uma política para a produção de e-books, claro!) e muito, muito mais... Mas, essencialmente, é necessário um professor fortalecido.

Professor fortalecido e banda larga de qualidade são condições básicas para que a escola de hoje prepare a juventude para esse mundo em reviravolta. Sem isso, teremos muitas bravatas e poucos resultados.

(Nelson Pretto é professor e já foi diretor (2000-2004 e 2004-2008) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Físico, mestre em Educação e Doutor em Comunicação.)

Leia a íntegra do artigo em http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5465701-EI17985,00-Do+UCA+a+tabuletas+onde+esta+a+banda+larga.html

CIA monitora as redes sociais do mundo

Localizado em meio a um parque industrial qualquer na Virgínia, EUA, o prédio não tem nada de especial. Mas, lá dentro, a CIA se dedica a seguir cinco milhões de tweets por dia.

O lugar se chama Open Source Center. Aqui, funcionários se dedicam a examinar Facebook, jornais, canais de TV, estações de rádio locais, mídias sociais, salas de bate-papo na Internet – qualquer coisa que possam acessar e contribuir de maneira aberta.

Mulher egípcia pinta mural com logo do Facebook
para comemorar queda do ditador Hosni Mubarak.

Essa informação, que geralmente não está em inglês, é cruzada com material de jornais locais ou grampos telefônicos. A partir daí um quadro é formado e tem entre seus destinos finais o relatório de inteligência diário do presidente Obama, possibilitando assim um olhar em tempo real sobre, por exemplo, o clima em uma região depois da morte de Osama Bin Laden ou qual nação do Oriente Médio parece pronta para uma revolução. Sim, eles sabiam o que ia acontecer no Egito, só não sabiam exatamente quando.
O centro já tinha “previsto que as mídias sociais em lugares como o Egito mudariam o jogo e seriam ameaças ao regime”, o diretor do centro, Doug Naquin, disse em uma entrevista recente à Associated Press no centro. Funcionários da CIA disseram que era a primeira vez que um repórter fazia tal visita à agência.

Esse departamento da CIA foi montado seguindo recomendações de uma Comissão de 11/9. Sua primeira prioridade era focar no contraterrorismo e na contraproliferação. Mas suas centenas de analistas abrangem muita coisa, desde o acesso à internet na China ao clima nas ruas no Paquistão. Apesar da maioria estar situada na Virgínia, há analistas espalhados por embaixadas americanas mundo afora, com o objetivo de estar mais perto do pulso dos seus assuntos.

Os melhores analistas, disse Naquin, sabem “achar coisas que outras pessoas nem sabem que existe”. Aqueles com mestrado em biblioteconomia e línguas variadas, especialmente aqueles que cresceram falando em outra língua, “podem se tornar um oficial ‘open source’ poderoso”, disse Naquin.

O centro começou a focar em mídias sociais depois de ver a Twittosfera sacudir o regime iraniano durante a Revolução Verde em 2009, quando milhares protestaram contra os resultados das eleições que colocaram o presidente Ahmadinejad de volta ao poder.

Depois que Bin Laden foi morto no Paquistão, a CIA seguiu o Twitter para dar à Casa Branca uma impressão da opinião pública mundial.

Como os tweets não precisam necessariamente estar ligados a uma localização geográfica, os analistas dividiram a reação de acordo com a língua. O resultado: a maior parte dos tweets em urdu, a língua do Paquistão, e chinês eram negativos. A China é um aliado próximo do Paquistão. Os oficiais daquele país protestaram contra o ataque por ele ter ferido sua soberania.

O centro também vem comparando suas mídias sociais com os registros de institutos de pesquisas, na tentativa de ver qual produz resultados mais precisos, disse Naquin.

“Fazemos todo o possível para alertar que o que temos seja talvez uma super-representação da elite urbana”, explica Naquin, reconhecendo que apenas uma pequena fatia da população em muitas áreas monitoriadas tem acesso a computadores e à internet. Por outro lado, ele aponta que o acesso à mídias sociais via celular está crescendo em áreas como a África.

Por Agências / Kimberly Dozier (AP)
Disponível em: http://blogs.estadao.com.br/link/cia-monitora-as-redes-sociais-do-mundo/